sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Lições da Escuridão

Direção: Werner Herzog
Ano: 1992
Gênero: Documentário
Duração: 50 min.
Título Original: Lektionen in Finsternis
Título em Inglês: Lessons of Darkness 
Sinopse: Traz um olhar do cineasta sobre a Guerra do Golfo, em 1991, através dos campos de petróleo incendiados no Kuwait.
"Lições da Escuridão" confronta-nos com um território desconhecido: o gélido cenário pós-guerra. Além de provocar uma sensação apocalíptica, gera-nos um certo estranhamento ao fato de existirem tantas realidades diferentes, senão opostas, discrepantes e paradoxais, num mundo que compartilhamos. Algo como “o protótipo do inferno está ao lado e eu não vi”. A linguagem muda das imagens, quase gritando em nossos olhos/ouvidos me lembrou um pouco a trilogia qatsi. O "Banquetes de Dinossauros" como uma analogia dos animais pré-históricos com as grandes máquinas modernas surpreendeu-me. Os movimentos de uma retro-escavadeira descendo sua pá equipara-se ao pescoço de um dinossauro abaixando-se para comer. Uma comparação complicada de ser composta imageticamente que acaba por se fazer tão clara no filme que fez-me pensar em Herzog como um grande maestro. Pontuaria ainda o silêncio da torradeira e quantos gritos não estariam guardados ali... Aliás, a metalinguagem do silêncio conduz-nos a uma profunda reflexão acerca do pós-guerra. Parece que assim como os personagens as imagens do filme exprimem o "trauma" de um período como esse. "Vida sem Fogo" conclui a narrativa fílmica levando-nos a pensar a problemática da destruição enquanto característica inerente ao ser humano.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Waking Life (Richard Linklater)

Eu não quero ser uma formiga.
Passamos pela vida esbarrando uns nos outros...
sempre no piloto automático,
como formigas...
não sendo solicitados a fazer
nada de verdadeiramente humano.

"Pare". "Siga". "Ande aqui". "Dirija ali".
Ações voltadas apenas à sobrevivência.
Toda comunicação servindo para
manter ativa a colônia de formigas...
de um modo eficiente e civilizado.

"O seu troco". "Papel ou plástico?"
"Crédito ou débito?"
"Aceita ketchup?"

Não quero um canudo.
Quero momentos humanos verdadeiros.
Quero ver você.
Quero que você me veja.
Não quero abrir mão disso.
Não quero ser uma formiga, entende?

Antes do Amanhecer (Richard Linklater)

"Ilusão à luz do dia
Cílio de limusine
Querida,com seu lindo rosto...
Derrama uma lágrima em minha taça de vinho
Olhe para esses grandes olhos
Veja o que você significa para mim:
Bolos e milk-shakes
Eu sou um anjo da ilusão
Um desfile à fantasia
Eu quero que você saiba o que eu penso
Eu não quero mais que imagine
Você nem imagina de onde eu vim
Nem imaginamos para onde vamos
Alojados na vida...
Como galhos na água...
Flutuando rio abaixo,presos pela correnteza
Eu a carregarei
Você me carregará
É assim que pode ser
Você não me conhece
Você não me conhece ainda?"


Quando intimados por um morador de rua a falar uma palavra para que a partir desta o homem compusesse um poema, o casal responde ironicamente: "milk-shake!" O resultado são versos mixtos de paixão, insegurança e medo... talvez porque o significado da palavra não tivesse sido encontradona gramática mas nos olhos do casal e nem mesmo a análise do discurso decifraria a profundidade do que pode expressar uma pupila dilatada ou lágrimas reprimidas quase alagando um olhar.
Quanto vale uma imagem bem dita?

Alma pesa?



Quanto cabe em 21 gramas?

Saiba

Adriana Calcanhotto

Composição: Arnaldo Antunes

Saiba!
Todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão, também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem...

Saiba!
Todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
E também você e eu...

Saiba!
Todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar...

Saiba!
Todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano...

Saiba!
Todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé...

Saiba!
Todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
E também eu e você
E também eu e você

E também eu e você...


ps (Ao pó voltaremos!)

Proust tem razão mas, mesmo ele me explicando o tal processo, há quem me ofereça um antídoto?

A verdade sobre a dúvida

A gente devora e se delicia com pedacinhos de saberes
A gente corre e perde noite, a gente se afoga em dúvidas.
A gente encontra respostas que ironicamente, quase rindo na cara da gente,  se desmancham no ar.